O NASCIMENTO DE VÊNUS

O NASCIMENTO DE VÊNUS
O NASCIMENTO DE VÊNUS do pintor renascentista Sandro Botticelli

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domingo, 6 de setembro de 2015

ARTE GOÉTICA

A Chave Menor do Reino de Salomão

Quem estiver lendo esta postagem vai (com toda a certeza) se perguntar o que Harry Potter, o personagem da consagrada escritora britânica J.K. Rowling tem a ver com a Arte Goética ou a Chave Menor do Reino de Salomão. Explico:
Salomão, o mais poderoso rei hebreu e um dos mais poderosos monarcas da Antiguidade, ao construir seu faraônico templo em honra e glória a Deus, recebeu dos anjos a chave que lhe dava o poder de evocar demônios para ajudá-lo na árdua tarefa. Mais ainda, tais entidades lhe davam poderes sobrenaturais como prever o futuro, invisibilidade, descobrir tesouros ocultos, etc. 
Reza a lenda que após utilizar os serviços destas entidades, o rei Salomão os aprisionou numa arca hermeticamente fechada de bronze onde ficaram confinados por séculos até serem libertos por algum desavisado. A arte de evocar os demônios (Ars Goetia ou arte de chamar) foi transcrita num livro que ensinava ao magista ou mago como desenhar os selos de cada entidade, como preparar o ambiente para os rituais de evocação e, principalmente, como preparar a sua própria varinha, ou baqueta (o instrumento mais poderoso de um mago):

Parte II – Materiais
A Baqueta
A baqueta ( ou cajado), se comparada com os outros instrumentos da ARTE, pode ser considerada, sem sombra de duvida, o mais importante entre eles. Sendo essencialmente um símbolo fálico, o bastão representa a presença e o poder do eu criador e da vontade manifesta do magista. O bastão deve assim ser reto e poderoso, uma figura digna de sua força divina. (Note "E ele regerá as nações com a vara de ferro" Apc 2,27).
A baqueta representa por extensão o equilíbrio mágico pois corresponde, na arvore da vida ao pilar do meio, cuja soma é 463 -- consulte para isso o SEPHER SEPHIROT de A. Crowley. Portanto ela é o caminho que conduz diretamente do reino a coroa e vice versa. Ou seja através dela é que a energia descerá do céu até a terra, pelo fio condutor de cobre que a varinha deveria ter segundo a tradição, como é exposto em algumas clavículas de salomão; o cobre aqui representaria o amor que une os dois pólos imantados e conduz a energia, pois é um metal correspondente a Vênus: a amante. além disto, seria desnecessário dizer que a baqueta é essencialmente dupla assim, tal como a eletricidade tem nos circuitos seu veiculo de atuação a baqueta seria então este veiculo que corresponde ao transmissor da ordem do agente para o objeto
Diversos autores poderão lhe dar descrições detalhadas sobre a confecção deste artefato, se por exemplo, as orientações de Lévi sobre a aquisição da baqueta forem seguidas, então “esse instrumento deveria confeccionado de um galho perfeitamente reto da amendoeira ou aveleira, galho este cortado da árvore sem entalhamento e sem hesitação de um só golpe com uma faca afiada. Isso deve ser feito antes do nascer do sol e na estação em que a árvore estiver prestes a florescer. O galho deverá ser submetido a um meticuloso procedimento de preparação, sendo despojado de suas folhas e brotos, as ascas removidas e as extremidades aparadas cuidadosamente e os nós aplainados” Segue-se daí mais diversas instruções que podem ser lidas em Dogma e Ritual de Alta Magia.
Esta forma de aquisição da baqueta, não é a única, mas guarda algo em comum com todas as outras. É demorada, complicada e desafiadora. No final de contas, o mais importante é o exercício e desenvolvimento da vontade submetido a uma forte prova. Nas palavras de Israel Regardie, em A Árvore da Vida:
"O mago que se incomodou a ponto de se levantar duas ou três vezes á meia-noite por seu bastão, negando-se o repouso e sono, terá pelo próprio fato de ter assim agido, se beneficiado consideravelmente no que diz respeito à vontade".
Ou como Eliphas Leví completou em Dogma e ritual da Alta magia:
“O camponês que cada manhã se levanta às duas ou três horas e caminha para longe do conforto de sua cama para colher um ramo da mesma planta antes do nascer do sol, pode realizar inúmeros prodígios simplesmente portando a plana".

O livro também faz a seguinte recomendação: se você tiver dúvidas das suas intenções ou elas não ficarem claras o suficiente, este tipo de arte não é para você. 

Falarei mais da arte goética futuramente.

 

2 comentários:

  1. O livro é grandemente fantástico... Embora tenha muito miticismo antigo ele deixa tudo muito claro para os olhos de quem lê... Li e gostei muito recomendo, Goetia... Fale mais sobre o assunto prof...

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